25 de fev de 2011

PT – entre desilusões e traições

Autor:

Paulo Roberto Vasconcelos Fernandes

Educador

judas

“Você pagou com traição

a quem sempre te deu a mão...”

 

O excerto acima é parte da letra do samba “Vou festejar”, do compositor e cantor Jorge Aragão, que serviu de mote em umas das inúmeras greves dos professores da rede estadual contra a governadora Ana Júlia, do PT, a primeira mulher no Estado a ocupar esse posto.

 

Parece ironia do destino, mas a letra dessa música, considerada um clássico da MPB, foi imortalizada pela voz de outra mulher, a sambista Beth Carvalho, também uma militante de esquerda. Para mostrar sua insatisfação e indignação com o tratamento reservado a educação pelo governo de Ana, a categoria usou cartazes confeccionados pela sua entidade representativa – o Sintepp -, justamente com a letra desse portentoso samba. Mas, o que estava por trás dessa atitude dos trabalhadores em educação no Pará para invocar a palavra “traição”? Esperava a categoria tratamento diferenciado nas suas relações com a governadora, por acreditar que a sua origem política sepultaria de vez o duro tratamento, a base de pão e água, dispensados pelos tucanos ao longo de 12 (e exaustivos) anos de poder no Pará? Ou, não havia nada de concreto pra festejar num estado onde os ecos das mudanças se encontravam cativos na retórica de um governo perenemente palanqueiro e náf! ego para comandar as tão desejadas (e inadiáveis) mudanças num estado de realidade tão caótica.

 

Os professores, entretanto, não deixam de ter lá suas motivações, pois mudanças mesmo na educação, só viram na troca de comando da Secretaria: foram quatro secretários que se altercaram no comando da Seduc em menos de três anos e meio. Fora o escândalo dos kits escolares superfaturados.

 

Talvez as mudanças tão esperadas e prometidas por Ana Júlia que não aconteceram, tenha-os feito acreditar que foram traídos por V. Exa. A crença por melhores dias na educação fora, inclusive, reforçada pelo primeiro titular da Secretaria de Educação, o professor Mário Cardoso, por meio da sua “Carta da Educação”, endereçada à comunidade escolar e que anunciava as boas novas.

 

Traição sempre foi um prato presente no banquete político do Pará, segundo seus próprios personagens. Mas, a intensidade com que esse verbo tem sido pronunciado, especialmente, a partir das eleições de 1982, nos dá a dimensão de como tem sido difícil para os partidos e/ou suas lideranças políticas se manterem fiéis aos acordos que estabelecem entre si para enfrentar uma campanha eleitoral. Conquistado o troféu, vem a tempestade. Quem experimenta ou experimentou o cálice amargo da confiança quebrada, invoca a condição de traído.

 

Essa incômoda palavra “traição” parece ter se constituído num estigma a acompanhar o Partido dos Trabalhadores no Pará, sobretudo, quando se trata das coligações políticas que são vitoriosas. Passado o estouro do champanhe e arrefecido o calor das comemorações com os companheiros dos partidos co-irmãos ou não, as fraturas dessa engenharia política vão se expondo. Quem não se recorda das eleições municipais de 1996, quando Edmilson Rodrigues, então no PT, concorreu, liderando uma ampla coligação de esquerda e saiu vitorioso (posto que fora generosamente favorecido pelo acaso, em conseqüência da contenda traçada por Ramiro e Elcione)? Na hora de compor seu “staff”, o então prefeito “esqueceu” de contemplar os companheiros de lutas e jornadas dos outros partidos, causando um verdadeiro mal-estar entre eles. Acreditava Edmilson que só um gabinete integrado por petistas era capaz de enfrentar os muitos e complexos desafios que Belém lhe imputava. Houve muito chororô até que o cachimbo da fraternidade entre eles fosse fumado.

 

As histórias de traição envolvendo o PT não são poucas, pelo contrário. Elas envolvem, também, o PMDB, de Jader Barbalho. O cacique do PMDB nunca engoliu a tramóia manobrada de dentro do PT nas eleições para o senado em 2002, que favoreceu Ana Júlia e prejudicou Elcione. Ana foi para o Senado em Brasília e Elcione teve que retomar suas atividades políticas por baixo, ou seja, na Câmara Municipal de Belém. O PT chegou, na ocasião, até a lançar nota no Jornal Diário do Pará recomendando suas bases a votarem na candidata peemedebista. Para Jader, essa atitude do PT, além de tardia, foi para inglês ver. Outro episódio dessa amarga história aconteceu nas eleições municipais de Belém, em 2008, quando Priante, - que já havia sacrificado, em prol do PT, uma candidatura certa pra deputado federal para tomar parte na trama que desatrelaria o PSDB do poder estadual -, candidatou-se pelo PMDB, mas não teve a tão esperada “mãozinha” do aliado no segundo e decisivo turno contra o candidato a reeleição, Duciomar Costa. O PT não queria ceder, com seu gesto amigo, o avanço do PMDB no tabuleiro do poder. Isso podia-lhe trazer, num futuro próximo, dificuldades.

 

A mesma atitude teve no episódio da cassação de Duciomar. O alcaide só escapou da guilhotina do judiciário que rondava (e ainda ronda) a sua cabeça, porque houve a mobilização de uma verdadeira força tarefa nos bastidores a seu favor. O PMDB viu nessa correria para preservar o mandato de Duciomar a “mão da providência” do Palácio dos Despachos.

 

Em 2010, novamente, a “traição” deu combustível à campanha para o governo do Estado. E novamente o PT estava no centro dos acontecimentos. Seria a hora do acerto de contas entre o PMDB e o PT? O desfecho do mal fadado governo de Ana Júlia pode ser compreendido, também, por essa quebra de confiança que fora estabelecido com o PMDB. Sem postura altiva para conduzir esse tipo de compromisso celebrado com os seus aliados políticos, entre eles o maior responsável pela sua ascensão ao poder em 2006, o então deputado federal Jader Barbalho, o clima de relacionamento entre PT e PMDB azedou de vez. A terrível e abrupta guinada no “âmbito familiar” dessa relação, não foi devidamente assimilada pelo governo petista. Findo a união, o período de “luto”, nesse caso, em nada serviu para refletir o que fora essa cisão, superá-la, e seguir na busca de novo equilíbrio.

 

O baque da separação, talvez, possa explicar a falta de percepção do PT em vê que a “rainha estava nua” e o sonho da reeleição virar pesadelo, desmoronando feito um castelo de areia, no início do segundo semestre quando a campanha eleitoral começava a esquentar.

 

Afeita a só dar ouvidos ao seu grupo político, a Democracia Socialista (DS), como se estes fossem os únicos eremitas da verdade, Ana Júlia, revelou uma das suas mais substantivas debilidades: a total falta de liderança, sobretudo, para comandar o governo do estado. Quiçá, essa debilidade já se fazia notar até mesmo nas relações com o seu grupo político tamanho o seu aferro a eles. Ana pensava e agia pelas orientações da DS.

 

Conduzidos, então, pela ilusão de que tudo podiam sozinhos, aos poucos foram desmanchando a sua aliança (de conveniência) com o PMDB. Por um capricho da imaginação, elaborado nas mentes dos integrantes do seu grupo, e que pode ser constatado no blog do seu ex-grão-vizir e ex-chefe da casa civil, Cláudio Puty, o blog do Puty, deputado federal eleito e hoje a estrela que mais brilha no governo, ofuscando a estrela da própria governadora Ana Júlia, quando através do artigo “PMDB: ser e não ser, a falsa questão”, levanta a tese segunda a qual, “a ilusão de que, sem a anuência do PMDB, nada se move, nada prospera”. Elaborada a equação para justificar o rompimento da aliança, restava colocá-la a ferro e fogo, com direito a prova dos nove. O preço pago pela ilação equivocada foi alto e será feito em longas prestações, forçando o PT a refletir (e dessa vez acertadamente, espera-se) sobre seus erros.

 

Ora, imaginavam os comandados de Ana que por pura dedução lógica chegariam à reeleição, admitindo para tanto o grande índice de aceitação popular do Presidente Lula, articulado ao uso da máquina oficial e as obras, especialmente, as da Ação Metrópole, que tardaram a chegar, não dando tempo de a população assimilar a sua importância para a cidade. Por outro lado, a ausência de sensibilidade, a falta de experiência e a imaturidade política dos seus auxiliares mais próximos, corroboraram para que se erguesse em torno do Palácio dos Despachos uma redoma de vidro, blindando a governadora de qualquer constrangimento. Já sem olhos ou ouvidos, Ana Júlia, não percebia o clamor das ruas pedindo (e cobrando) as mudanças. Estava completamente desorientada e sem se dar conta do que se passava, realmente, a periferia da sua existência.

 

Com altíssimo índice de rejeição (superior a 50% segundo pesquisas) e hostilizada, através de vaias, em quase todas as solenidades públicas que aparecia, Ana Júlia, seguindo a lógica do seu grupo, topou o jogo e chafurdou de vez nas suas pretensões de estabelecer uma nova marca na política do Pará: a primeira mulher a se reeleger para um segundo mandato consecutivo ao governo do estado.

 

Se a má companhia do PMDB, seguindo a lógica petista, não foi devidamente deglutida e, posteriormente, digerida, como se explica, então, para o eleitor paraense e para a sua militância outras duas (más?) companhias que engrossavam o cordão de correligionários de Ana Júlia? A do alcaide Duciomar Costa (segundo pesquisas, o pior prefeito da história de Belém) e finalmente, a do ex-governador Almir Gabriel, que movido pelo ódio e pela vingança, passou a execrar em praça pública, o ex-amigo e ex-aliado, o economista Simão Jatene. Aliás, o enleado Almir cerrou punhos nessa campanha (e até mesmo antes dela) contra Jatene para denunciar a suposta traição de que fora vítima. Simão Jatene, o antecessor de Ana, apesar de tudo e de todos (ou particularmente Almir) saiu vitorioso das eleições, se tornando outra vez governador do Pará.

 

E assim, na “Terra de Direitos”, traídos e traidores se movem à luz dos seus interesses, pouco se importando com os problemas do Pará e de seus cidadãos. A sensação que recai sobre nós é a de que não há saída. Para onde se olha, a paisagem é triste e enfadonha, sem previsão de dias melhores. O Simão já conhecemos. E a Ana? O que suspeitávamos se confirmou a partir de expectativas desfavoráveis para a população vinda de alguém que se revelou infinitamente incapaz de perceber e combater os intricados problemas que urgem por solução num estado da magnitude do Pará.

 

A palavra “traição” parece, mesmo, mover a senda política no Pará. Parece castigo! Com grandes desafios pela frente, os partidos e os políticos do Estado se mostram preocupadíssimos em não serem traídos (e contrariados) nos seus interesses. O Pará é infinitamente superior a essa pequenez de espírito, que também revela outra sofrível condição: a da falta de lideranças políticas. Esse quadro de abstinência só favorece o surgimento de “falsos brilhantes”, de lapidação grosseira e sem brilho próprio, e que deixam nos seus rastros as marcas das suas fragilidades e carências por aquilo que fazem (ou até mesmo deixam de fazer).

 

Ana Júlia terá muito tempo para (re) pensar sua trajetória política daqui pra frente, fazer o mea culpa (se é que há submissão para isso) dos erros cometidos no comando do Estado. Isso pode até soar como castigo aos vencidos, mas é o trivial e o que costumeiramente se prescreve nesses casos. Pior seria se, ipsis litteris, embalada pela letra da música de Jorge Aragão, a derrotada Ana, pagando o preço caro da traição, se pusesse a chorar como castigo.

23 de fev de 2011

CARTA ABERTA DA JPSDB/PA À DIREÇÃO NACIONAL DO PSDB

Exmo. Sr. Deputado Sérgio Guerra,

 

O nosso partido é amplamente reconhecido como uma agremiação que possui grandes quadros e excelentes gestores. Não à toa, o PSDB elegeu em 2010 nada menos do que oito governadores de Estado. São territórios onde - todos somados - reside aproximadamente metade da população brasileira.


Contudo, o PSDB tem falhado terrivelmente, ao longo dos últimos oito anos, na tarefa de enfrentar os descalabros realizados pelo governo do Partido dos Trabalhadores. É inconcebível num regime democrático, em que uma força política oposicionista que diz ter - e o PSDB tem! - um projeto de Nação, não haja o devido enfrentamento de questões cruciais levantadas pelo governo.


Explica-se: a oposição, e o PSDB em especial, assistiram passivamente à diária desconstrução do governo chefiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assim como à sua própria demonização. Consoante a este processo, houve o soerguimento do mito "Lula", sem que surgisse uma única voz de contraposição a esta farsa.


Neste período, desfilaram impávidos os lacaios do patrimonialismo, zombando das instituições do país, sem o menor constrangimento. E o desempenho errante dos oposicionistas em muito contribuiu para este desfecho.


O governo tucano transformou o Brasil. Foi, sem dúvidas, a administração mais importante no sentido de modernização e de consolidação democrática e institucional do país nas últimas décadas. Entretanto, este conhecimento não pode ficar restrito aos nossos filiados. Há que se levar essa informação a cada brasileiro. Infelizmente, não foi o que ocorreu nos últimos anos.


Com efeito, o governo Dilma começou e já mostrou a que veio. Pode-se resumir seus primeiros 30 dias de gestão nos seguintes termos: aumento dos juros, pressão inflacionária, contingenciamento dos recursos do Orçamento, loteamento de cargos públicos, escândalo do SISU-ENEM - apenas para citar os principais.


Porém, apesar de todas essas lambanças praticadas pelo novo-velho governo, o silêncio das forças de oposição é o que mais incomoda. Não se trata nem de conceder aqueles famosos 100 dias de trégua, visto que - como o próprio Lula disse na campanha - o governo Dilma é tão somente a continuação do governo Lula.


Assim, a Juventude do Partido da Social Democracia Brasileira - Pará, reconhecendo o Senador Aécio Neves como quadro político de alcance nacional do PSDB, do alto de seus sete milhões de votos, entende que Sua Excelência é a pessoa mais indicada e deve aceitar o desafio de liderar, no Congresso Nacional, as forças de oposição ao governo petista, além de trabalhar pela união interna e reestruturação do PSDB.


Diz o velho adágio latino que "verba docent, exempla trahunt": as palavras ensinam, os exemplos arrastam. E não há melhor exemplo para as bases partidárias do que a atuação incisiva de uma grande liderança - no caso, liderança de oposição.


Uma oposição que deve agir de maneira aguerrida, contundente, firme! que não se negue a discutir as grandes questões do país, mas que não se curve aos desmandos do governo; que defenda a história do PSDB; que seja comprometida com a social-democracia contemporânea e com as bases partidárias; que levante a bandeira da democracia, da ética na política e da integridade das instituições republicanas; que apresente e debata com o povo brasileiro um projeto de país, enfim.


"Longe das benesses do poder, mas perto do pulsar das ruas": o ensinamento do nosso eterno líder Mário Covas há de estar mais presente do que nunca em nossas mentes e corações. O caminho está aberto, basta seguir em frente.

 

Cordialmente,

 

RAIMUNDO RODRIGUES DA SILVA
PRESIDENTE

 

ARY OSVALDO B. DE CARVALHO FILHO
VICE-PRESIDENTE

 

VANESSA DANIELLE MARTINS DA SILVA
SECRETÁRIA-GERAL

 

PABLO CÉSAR C. DE A. SAMPAIO
TESOUREIRO

 

THIAGO GOMES DOS REIS
COORDENADOR DE MOVIMENTO ESTUDANTIL DE ENSINO MÉDIO

 

VICTOR CLÁUDIO PICANÇO
COORDENADOR DE MOVIMENTO ESUDANTIL DE ENSINO SUPERIOR

 

ANDRÉ MÁRCIO DE SOUZA NÉRI
COORDENADOR DE ARTICULAÇÃO POLÍTICA

 

EMERSON SANTOS DA LUZ
COORDENADOR DE MOVIMENTOS SOCIAIS

 

MARCUS VINÍCIUS ATAYDE
COORDENADOR DE COMUNICAÇÃO

 

BRUNO LOPES DE CARVALHO
COORDENADOR DE FORMAÇÃO POLÍTICA

 

ANDERSON DIAS
COORDENADOR DE MOBILIZAÇÃO

 

ANDRÉ SANTOS
REPRESENTANTE DO PARÁ NA JPSDB NACIONAL

22 de fev de 2011

Governo do Estado repudia discriminação à paraense em Manaus

gov

 

“Diante do lamentável fato ocorrido na última segunda-feira (21) na cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas, amplamente divulgados pela imprensa e pela internet, envolvendo uma cidadã paraense e o prefeito daquele município, Sr. Amazonino Mendes, o Governo do Estado do Pará se sente no dever de fazer as seguintes considerações:


1. É inaceitável que, em qualquer circunstância, um ser humano sofra qualquer espécie de discriminação. É deplorável, portanto, a atitude de uma autoridade pública, eleita pelo povo, que, ante um grave problema social, mostra desequilíbrio e destempero. Não satisfeito em dizer à mulher "morra!", o prefeito, ao saber que ela é paraense, destilou ironia e sarcasmo, dizendo que "então está explicado", querendo insinuar que a atitude da mulher, cobrando por providências em uma área onde ocorreram desabamentos e mortes, se devia ao fato de a mesma ser oriunda do Estado do Pará.


2. Certamente, a atitude do prefeito não reflete o pensamento da maioria dos manauaras e amazonenses, que há séculos lutam bravamente com seus vizinhos amazônidas por uma sociedade mais justa e fraterna, e por uma Amazônia respeitada, nacional e internacionalmente.


3. É fato que muitos paraenses migraram para Manaus em busca de novas oportunidades. Como é fato, também, que muitos amazonenses (e brasileiros de todos os demais Estados) para cá vieram, todos em busca de um futuro melhor, em uma terra que os acolheu fraternalmente. Em ambos os casos, os povos amazonense e paraense receberam os migrantes de braços abertos, e não haveria outra maneira de fazê-lo, já que somos todos brasileiros.


4. O Pará, com seus imensos recursos naturais, sempre contribuiu para o desenvolvimento do país, respondendo decisivamente para o superávit da balança comercial graças às exportações, que, malgrado sua importância, não têm compensado os paraenses como deveriam. As injustiças fiscais estão entre as razões dos desequilíbrios regionais, pobreza e subdesenvolvimento, que, somados, forçam o povo a sobreviver, muitas vezes, fora da terra natal. A realidade é dura para todos na Amazônia, e é incompreensível que haja rancores entre nós e, lamentavelmente, alimentados por uma autoridade pública.


5. O Pará, formado pela soma de várias naturalidades e nacionalidades, lamenta o episódio ocorrido em Manaus, mas compreende que, acima de tudo, está a fraternidade entre os povos que sofrem e lutam por uma melhor qualidade de vida para todos, sem discriminação.


Por um Pará unido, por uma Amazônia unida, por um Brasil unido.


Governo do Estado do Pará”

 

Nota recebida por e-mail da SECRETARIA DE ESTADO DE COMUNICAÇÃO - SECOM

7 de fev de 2011

Esclarecimentos do deputado Cássio Andrade

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Esclarecimento do Deputado Estadual Cássio Andrade sobre a matéria publicada no Jornal Diário do Pará, do dia 06/02/2010, sobre supostas fraudes na SEMA:

 

Primeiramente, tenho a esclarecer que não existe qualquer investigação realizada pela Polícia Federal sobre a minha pessoa, e que tão pouco meu telefone foi ou está grampeado, em virtude da operação Alvorecer. O que tomei conhecimento foi da existência de conversas grampeadas de funcionários da SEMA que mencionavam uma licença ambiental pleiteada pela empresa da qual sou um dos três sócios e não o dono.


Tal licença de fato foi cobrada, mas de forma legítima, tendo em vista que a empresa cumpriu todos os trâmites legais para a concessão dessa licença e o prazo para tal concessão já havia se esgotado. Essa cobrança foi realizada pelos sócios da empresa, dentro dos seus direitos de empresários, e não utilizando a figura do Deputado Estadual. Em momento algum foi feito contato com a Governadora, Secretário ou qualquer funcionário da SEMA requerendo qualquer tipo de favorecimento ilícito ou utilizando-se de influência política.


Em 02 de junho de 2010 foram protocolados na SEMA dois processo (protocolo nº 010/13997 e 010/13994) cujo objetivo era obter licença ambiental para as filiais da empresa no Município de Altamira, uma vez que a Secretaria Municipal daquela localidade não emite esse tipo de licença. Trata-se tão somente de uma microempresa que comercializa peixes ornamentais (peixes de aquário), não tendo nenhum vinculo político com qualquer órgão público, não participando de licitações, tratando-se de simples comércio, na qual sou simples sócio.


As informações dadas e veiculadas no jornal não foram adquiridas de órgãos oficiais, tratando-se de meras ilações, dando a entender que fiz parte de uma fraude, sendo leviana, irresponsável e desinformada, uma vez que não tenho qualquer participação direta ou indireta nos projetos de manejo analisados pela SEMA, apenas pleiteava a concessão de uma licença ambiental ligada a exportação de peixes ornamentais, requisitada pelo IBAMA, cumprindo as normativas do setor.


As palavras descritas nessa matéria atribuídas a minha autoria, em verdade são palavras dos funcionários da SEMA , colhidas em conversas telefônicas.


Sou totalmente favorável a investigação da Polícia Federal sobre as supostas ilicitudes ocorridas na Secretaria Estadual do Meio Ambiente, entretanto, repito, que não tenho qualquer envolvimento com este episódio, não sendo alvo de qualquer investigação da Polícia Federal e coloco-me a total disposição para sanar qualquer tipo de mal entendido surgido.


Cássio Coelho Andrade.

3 de fev de 2011

Entrevista com Simão Jatene

JATENEGovernador, o senhor citou em seu discurso diversos desafios a enfrentar. A dívida deixada pelo governo anterior é o principal desafio?


Acho que mais do que a dívida, a combinação entre a dívida e o déficit é que torna explosiva a situação. O que é o déficit? O déficit é aquela diferença que todo mês o Estado vai ter que compensar, porque tem uma despesa maior que a receita. É a combinação que torna esse momento maios difícil, porque se você tem dívida mas tem um salário maior, tem como pagar a dívida. Mas nós, o Estado, temos uma dívida e, mais do que isso, um déficit. Ou seja, a receita do Estado está menor do que as despesas.


Que equação é possível fazer para resolver o problema?


Há dois caminhos, e os dois caminhos se combinam. O primeiro é que se tem que elevar a receita e reduzir as despesas. É claro que a elevação da receita não depende só do governo, não é resultado de uma ação imediata. É por isso que imediatamente é preciso agir no controle da despesa, porque tem uma resposta mais imediata.


O Executivo já anunciou um corte de 20 a 30% no custeio. O sr. acha que os outros poderes também devem seguir esse caminho?


Vou conversar ainda com os outros poderes. Obviamente, os poderes são independentes, mas espero solidariedade. Minha fala é o que eu penso. Somente um grande pacto, a união, a cooperação entre os poderes, e inclusive com a própria sociedade, e até mesmo com os servidores, é que nos levará a vencer esses obstáculos. Alguém pode dizer: lá vem a conversa que não pode dar aumento para os servidores. Mas temos que colocar na cabeça que somos capazes de fazer esse pacto, um pacto que envolva toda a sociedade, sobretudo para ajudar a população mais carente, porque ela não aguenta mais pagar sozinha o preço alto. Precisamos ter a maturidade para buscar o reequilíbrio entre despesa e renda.


O governo pediu a análise dos projetos que estavam na Assembleia Legislativa. Como está a análise desses projetos?


É claro que a maioria desses projetos vai voltar. O que a gente precisava era ter um pouco mais de segurança sobre o que estava sendo remetido do Executivo para o Legislativo. Na Mensagem, eu fiz uma referência a um ofício, recebido no final de dezembro, do Governo Federal para o Governo do Estado, que pedia para arquivar uma solicitação do governo estadual para mais uma operação de crédito, que o governo federal não liberou em virtude do não cumprimento de acordos anteriores. Ou seja, existem algumas questões pendentes que precisam ser avaliadas. São necessários alguns ajustes.

 

Como fica a questão da Lei Orgânica do Fisco?


A questão do Fisco que tenha autonomia, que seja algo de Estado e não de governo, subordinado a esse ou aquele, é algo que concordo. Mas era preciso passar essa fase. Foi um grande desafio nesse primeiro mês pagar as contas, os salários, as despesas que não poderiam ser postergadas. Agora, vou me debruçar sobre isso. É bom que as pessoas saibam que eu fui e continuo sendo servidor público.


Como o sr. analisa a parceria que resultou na escolha do deputado Manoel Pioneiro, que é do seu partido, como presidente da Assembleia Legislativa?


Acho que mais importante que a escolha é a forma como ela aconteceu. Temos hoje uma Mesa na Assembleia que tem a participação de todos os segmentos da Casa. Se a Assembleia tem essa pluralidade é o desejo da população que elegeu esses deputados. É claro que essa união facilita uma ação conjunta, que vai nos ajudar nesse momento.


Em relação aos Planos de Cargos, Carreiras e Salários já aprovados, como o da educação, eles serão levados adiante ou serão envolvidos no plano de redução de custos anunciado pelo governo?


Como disse, eu fui servidor e continuo servidor. Não é por acaso que falo do pacto. Tenho a clareza das dificuldades do servidor público, tenho também a clareza que se os servidores não se engajarem nisso a chance de melhorar a qualidade do serviço é muito pequena. A melhora da qualidade passa por essa questão. Quero ter uma conversa clara com os servidores, mostrar os números, para que juntos possamos chegar a um acordo. Quero decidir isso coletivamente, quero conversar com os servidores sobre essa questão dos números. Se não formos capazes de compreender a dimensão do desafio e nos unirmos para superação, seja quem for o governador, não tem saída. Nessa avaliação quero contar com os servidores, para buscarmos a solução.


Há uma prioridade?


As prioridades estão postas desde o começo: saúde, educação e segurança. Tanto que, quando fizemos a contenção de despesas, deixamos essas áreas preservadas.


Qual a maior dívida, no momento?


De um modo geral são dois tipos de dívida. Aquela com fornecedor, aquelas dívidas de curto prazo. Por exemplo, não pagamento da conta de luz. O que estamos fazendo é negociar, ou seja, daqui par a frente pagar em dia; o que ficou para trás vamos negociar. Estou discutindo mais de R$ 20 milhões de dívidas só em conta de luz. Mas não tem só isso. Estamos tentando fazer esses ajustes. Eu tenho certeza que nós vamos superar esse momento.


E em relação a projetos do governo federal que precisam da contrapartida do governo estadual?


Precisamos liberar minimamente a capacidade de investimento. Porque o governo não tem recursos para dar contrapartida desses projetos. Isso é muito grave. Tivemos que deslocar recursos, que estavam sendo utilizados no custeio. Um bom exemplo que dou para as pessoas entenderem é como se, na verdade, você pegasse tudo o que ganha e gastasse com contas, passeios. Aí você nunca vai ter dinheiro para construir sua casa, ampliar sua casa, etc., isto é, fazer investimento. É preciso avaliar o seguinte: a prestação de serviços ano passado não era imensamente melhor que em 2006. Na hora que se aumentou mais de R$ 3 milhões só em custeio, sugere que deve ser feita uma redução. É preciso entender que as medidas de contenção foram uma opção técnica, e não uma opção política. A verdade é que havia gasto demais com diárias, combustível, passagens, terceirização de serviços. Houve uma explosão no custeio.

 

Fonte: Janise Abud - Secom