3 de jun de 2012

Entrevista de Henrique Meirelles

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Os comentários de que o investidor estrangeiro começa a manifestar um mal-estar com as intervenções do governo no setor privado estão aumentando. O sr. já ouviu algo assim?

O nível de preocupação geral do investidor estrangeiro aumentou muito. A situação da economia mudou bastante e os investidores estão muito mais cautelosos no mundo todo. Não há dúvida de que aquela euforia com o Brasil e mesmo com outros países não existe mais hoje. O que, de certa maneira, acho saudável.

Mas o sr. tem percebido nos investidores apreensão com a interferência do governo na vida das empresas ou não?

Existe, sim, essa preocupação. Me perguntam de fato muito sobre isso nas minhas palestras para investidores internacionais. Procuro chamar a atenção desses investidores para as questões institucionais básicas do Brasil. O País tem a mesma estrutura institucional, pratica uma economia de mercado, existem garantias de contrato. Pode haver questões pontuais e aí a história vai dizer até que ponto são reações conjunturais à crise ou uma tendência no futuro. Prefiro acreditar que são reações à crise e que a tendência é voltar à normalidade.

O PIB do primeiro trimestre cresceu só 0,2%. Por que o Brasil está crescendo tão pouco?

Estamos vivendo uma situação de retração econômica global importante. E não há dúvida de que isso impactou a economia brasileira. O governo está adotando uma série de medidas contracíclicas e vamos aguardar os desdobramentos para ver a reação da economia nos próximos meses. Estamos crescendo bem abaixo do potencial. Há espaço para aumentar o crescimento sem pressões que gerem desequilíbrio.

Alguns analistas entendem que no governo Dilma o Banco Central perdeu autonomia. O sr. Concorda?

Eu tenho uma decisão autoimposta de, durante pelo menos dois anos depois de sair do Banco Central, não fazer comentários sobre meus sucessores. A relação do governo com os bancos está quente por causa dos juros. Eles foram criticados pela presidente Dilma e pressionados pelo ministro Guido Mantega.