4 de mai de 2014

Entrevista com o diretor do Sensus

Na última semana, a Editora Três, que publica ISTOÉ, acertou uma parceria com o instituto Sensus para a divulgação mensal de pesquisas eleitorais sobre a sucessão presidencial. Até a realização do primeiro turno, em outubro, serão publicados cinco levantamentos realizados em todo o País. Nesta edição está o resultado da primeira dessas abordagens. Fatos até agora inéditos são constatados pela pesquisa e a seguir detalhados por Ricardo Guedes Ferreira Pinto, diretor do Sensus.

ricardo

ISTOÉ - É a primeira vez que uma pesquisa sobre a eleição de 2014 aponta para um segundo turno. Como o sr. avalia esse movimento?

Ricardo Guedes - A pesquisa identifica dois fatores preponderantes para a queda de popularidade da presidenta Dilma Rousseff. O primeiro deles é a preocupação com a inflação que se materializa na queda do poder de compra do cidadão. Depois de três anos com um PIB médio de 2% ao ano e inflação perto dos 6%, milhões de brasileiros retornaram à linha da pobreza.

ISTOÉ - Qual o outro fator?

Guedes - As denúncias envolvendo a Petrobras. São acusações que atingem um eleitorado mais informado e não tão preso a partido político. Isso ajuda a explicar por que já está ocorrendo um movimento de migração de votos e não apenas queda de popularidade da candidata da situação.

ISTOÉ - Esse não é um quadro reversível, uma vez que a presidenta já apresentou medidas como reajuste no Bolsa Família, por exemplo?

Guedes - Está difícil para a presidenta. Para complementar o que já dissemos, 50,2% acham que o País não está no rumo certo e 65,9% da população está perdendo no bolso. Tudo ficou mais caro. E pela primeira vez se constata que o índice de reprovação da presidenta é maior do que o da aprovação.

ISTOÉ - Mas o PT fá venceu eleição no auge das denúncias do mensalão...

Guedes - Nesse sentido a pesquisa mostra outro dado interessante. Pela primeira vez a corrupção, com 9,9%, aparece entre as principais preocupações do brasileiro. Está em quarto lugar. Um percentual muito grande. Outro item importante da pesquisa é a identificação partidária do PT.

ISTOÉ - O partido ainda é o que tem maior identidade com o eleitor.

Guedes - Sim, mas tradicionalmente tinha entre 16% a 18% e nesta pesquisa cai para cerca de 9%. Esse é um dado que mais surpreendeu na pesquisa.

ISTOÉ - Porquê?

Guedes - Pode indicar um final de paradigma.

ISTOÉ - Essa questão não pode ser resolvida com a volta de Lula?

Guedes - Em tese pode. Mas veja que já há pesquisas indicando que num cenário onde Dilma tinha 39%, Lula aparece com 42%. É uma diferença muito pequena.

ISTOÉ - Se as pessoas querem o novo, por que o candidato Aécio Neves tem crescido mais do que Eduardo Campos, que fez parceria com Marina Silva, tida na eleição passada como a personificação do novo na política?

Guedes - Até agora, tudo indica que o Eduardo e a Marina somaram mais as rejeições de cada um do que os votos. Parte do eleitorado do Eduardo rejeita a Marina e grande parte do eleitorado de Marina não quer marchar com Eduardo.